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O que a série ‘Lizzie Borden’ da Netflix tem a ver com uma banda de metal?

60 minutos ago


A Netflix estreia nesta quinta-feira, 17, Monster: The Lizzie Borden Story, nova temporada da antologia criada por Ryan Murphy e Ian Brennan. A produção dramatiza o caso de Lizzie Borden, acusada de matar o pai e a madrasta a machadadas em 1892.

O caso também deixou sua marca no heavy metal. Em 1983, o vocalista Gregory Harges adotou o nome artístico Lizzy Borden, usando uma versão modificada do nome da famosa acusada de assassinato para batizar sua banda. O grupo de Los Angeles construiu uma identidade marcada pelo horror e por apresentações teatrais.

A estética do grupo chamou atenção em uma época de forte debate sobre o conteúdo do heavy metal nos Estados Unidos. Em 1986, o Parents Music Resource Center (PMRC) — grupo americano de defesa do consumidor formado em 1985 para aumentar o controle dos pais sobre o acesso das crianças a músicas com temas explícitos — incluiu Menace to Society, do Lizzy Borden, em uma lista de álbuns com letras consideradas problemáticas. Três músicas do disco foram citadas pelo grupo de pressão.

A banda também enfrentou restrições durante as apresentações. Em entrevista à Hit Parader em 1987, Lizzy Borden contou que um show em San Antonio teve uma regra que impedia a entrada de menores de 13 anos. Em San Diego, a restrição era para menores de 17, que só podiam entrar acompanhados por um adulto. Na mesma entrevista, o vocalista afirmou que o grupo havia sido proibido de tocar em alguns mercados por causa de seu espetáculo teatral. 

A controvérsia estava ligada ao próprio conceito dos shows. Lizzy Borden usava sangue falso, machados e encenações de violência como parte do espetáculo. A inspiração vinha do horror teatral, que também marcou artistas como Alice Cooper e KISS, que faziam isso desde os anos 70.

Lizzy Borden: A banda de heavy metal

O Lizzy Borden começou em Los Angeles em 1983, formado pelos irmãos Gregory Harges, conhecido artisticamente como Lizzy Borden, e Joey Scott Harges. A primeira grande oportunidade veio ainda naquele ano, quando “Rod of Iron” entrou na coletânea Metal Massacre IV, da Metal Blade Records. A participação ajudou a banda a conquistar um contrato com a gravadora e abriu caminho para o EP Give ‘Em the Axe, lançado em 1984.

O primeiro álbum completo, Love You to Pieces, chegou em 1985. No ano seguinte, o grupo lançou Menace to Society e o disco ao vivo The Murderess Metal Road Show. A fase também marcou o crescimento do grupo fora de Los Angeles. Em entrevista ao Sleaze Roxx, Lizzy Borden relembrou o início da cena de Los Angeles e contou que a banda passou a fazer turnês nacionais depois dos primeiros trabalhos. 

“Em 1983, quando formei a banda com meu irmão Joey [bateria], havia mais união entre as bandas de Los Angeles. Foi uma época empolgante. Nós tínhamos a música ‘Rod of Iron’ na coletânea Metal Massacre, da Metal Blade Records. Depois lançamos nosso primeiro EP, Give ’Em The Axe, antes de chegar ao primeiro álbum completo, Love You to Pieces. Até aquele momento, éramos a maior banda local de Los Angeles. Isso mudou quando começamos a fazer turnês por todo o país com os discos seguintes, Menace to Society e Visual Lies. Sempre que voltávamos periodicamente para Los Angeles, fazíamos shows em nossa cidade natal e lotávamos as casas. Isso mostra que sempre fomos uma banda teatral e que somos assim há 27 anos”, disse Lizzy Borden.

Outro momento importante veio com Visual Lies, de 1987. O álbum trouxe “Me Against the World”, uma das músicas mais conhecidas da banda. A faixa ganhou videoclipe e, posteriormente, apareceu na trilha sonora do filme de terror Black Roses, lançado em 1988. No mesmo ano, Lizzy Borden participou de The Decline of Western Civilization Part II: The Metal Years, documentário dirigido por Penelope Spheeris sobre a cena do heavy metal de Los Angeles.

Hiato e morte do guitarrista e retorno às atividades

A teatralidade também acompanhou a evolução dos discos. Com Master of Disguise (1989), levou esse conceito ainda mais longe ao apostar em uma abordagem conceitual e em elementos dramáticos. O trabalho acabou se tornando um dos títulos mais lembrados da discografia do grupo.

Porém, a trajetória teve algumas interrupções. O Lizzy Borden entrou em hiato em 1996, voltou às atividades no fim da década e passou novamente por uma pausa após a morte do guitarrista Alex Nelson, aos 41 anos, após sofrer um acidente de carro em 2004. A banda retornou aos palcos em 2006 e continuou ativa desde então, com mudanças na formação.

Em 2018, o grupo lançou My Midnight Things, seu sétimo álbum de estúdio. O trabalho marcou também o retorno da banda à Metal Blade Records. Desde então, Lizzy Borden continuou aparecendo em festivais e eventos de heavy metal. Entre as apresentações mais recentes documentadas estão shows nos Estados Unidos e no México em 2025.

Apesar de não haver shows anunciados para 2026, o Lizzy Borden continua listado como banda ativa. As apresentações mais recentes incluem uma participação no Titans of Metal Fest, na Cidade do México, e datas em San Antonio, Tulsa e West Hollywood em 2025.

Gregory Harges não apenas adotou “Lizzy Borden” como nome artístico: o personagem passou a funcionar como uma extensão da identidade da banda. A escolha ajudou a unir o nome associado ao caso criminal do século XIX com a estética de horror que dominava os shows do grupo. O resultado foi uma persona que se tornou inseparável da identidade do Lizzy Borden — uma banda que transformou o mesmo nome em uma das personas mais reconhecíveis do heavy metal dos anos 1980. E esse encontro entre true crime e metal torna a história especialmente curiosa. 

A série Monster: The Lizzie Borden Story

A mesma história que ajudou a criar a identidade de uma banda de heavy metal nos anos 1980 agora volta como tema de uma grande produção de true crime da Netflix. Quase quatro décadas depois, a história de Lizzie Borden chega novamente ao grande público em uma produção de Hollywood, estreando a quarta temporada da série antológica de crimes reais criada por Ryan Murphy e Ian Brennan.

Monster: The Lizzie Borden Story é estrelada por Ella Beatty no papel principal. A série de 8 episódios também conta com Vicky Krieps, Charlie Hunnam, Rebecca Hall e Sarah Paulson. A temporada retrata o famoso e brutal assassinato duplo ocorrido em 1892 na cidade de Fall River, Massachusetts (EUA). Andrew Borden e sua esposa, Abby, foram mortos a golpes de machado dentro de casa. Lizzie Borden foi acusada e julgada pelo crime, mas acabou sendo absolvida pela justiça na época por falta de provas definitivas. O caso permaneceu sem uma solução oficial, tornando-se uma lenda da cultura popular americana. A produção explora o ambiente sufocante da era vitoriana e as tensões familiares que antecederam os crimes. O primeiro episódio estreia na noite desta quinta-feira, 17, na plataforma Netflix.

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Jéssica Marinho

Atual Editora do Wikimetal. Jornalista e Fotógrafa em cobertura de shows, resenhas, matérias, hard news e entrevistas. Experiência em shows, grandes festivais e eventos (mais de mil shows pelo mundo). Portfólio com matérias e entrevistas na Metal Hammer Portugal, Metal Hammer Espanha, Metal Injection (EUA), Wikimetal e outros sites brasileiros de cultura e entretenimento.

Também conhecida como A Menina que Colecionava Discos – [email protected]





Via: WikiMetal