Menu

Pregação de pastor em ônibus contra rock e metal escancara a lama moral da nossa sociedade

2 horas ago


É totalmente possível – e é até o ideal – curtir rock e metal e viver uma vida correta, honrando as responsabilidades do cotidiano, sendo um bom colega de trabalho e um indivíduo bacana dentro do seio familiar.

Muitas pessoas confundem o gosto pela música pesada com libertinagem, loucuras e toda sorte de presepadas que invariavelmente atrapalham a vida. É possível curtir um show de metal sem beber cerveja e usar ilícitos, diga-se de passagem.

No campo artístico, é possível perceber o conteúdo lírico das canções como ficção, crítica e deboche. O ponto é não levar tudo a ferro e fogo. Quando Ozzy Osbourne escreveu o hit Suicide Solution, por exemplo, o objetivo não era incentivar os fãs a tirarem a própria vida. Era uma crítica para quem seca o caneco todos os dias.

E quem atola o pé em problemas e tem uma vida desregrada, a redenção vem geralmente através de alguma religião. A partir daí o rock e o metal se tornam os bodes expiatórios de toda convulsão social, financeira, intelectual e espiritual que o indivíduo se meteu ao longo da vida.

Contudo, o próprio exame de consciência e o bom uso do livre-arbítrio em manter distância de bebidas, drogas e afins raramente ganham espaço na reflexão, afinal, é bem mais fácil delegar responsabilidade a terceiros e culpar o que está fora do que trabalhar em uma constante reforma moral.

Para as pessoas que buscam redenção na religião, o rock e o metal se tornam inimigos número um e cruzadas contra os estilos invariavelmente ganham vida.

Alguns anos atrás surgiu um vídeo nas redes sociais de um pastor fazendo sua pregação em um transporte coletivo, o que é errado. Você pode e deve manifestar sua fé em seu templo e em sua casa, mas não no ambiente coletivo. Mas sem respeitar o espaço dos outros passageiros, ele iniciou o seu sermão.

Em um trecho do vídeo, ele disse: “Eu curtia Iron Maiden, Metallica, Nirvana, Sex Pistols, Dead Kennedys, Ramones, Skid Row, Ozzy Osbourne, Black Sabbath, Ratos de Porão, Garotos Podres, Green Day, The Offspring, Led Zeppelin, Pink Floyd e Guns N’ Roses. Era só som de doido”.

O pastor seguiu enumerado as bandas nacionais: “Eu curtia Raimundos, Barão Vermelho, Titãs, Cazuza, Legião Urbana, Capital Inicial, Engenheiros do Havaí, Charlie Brown Jr. e Pastel de Miolos. Era uma mistura de doido com harcore, punk, thrash, heavy, grunge e true metal. Era uma loucura, mas Jesus chegou, e quando Jesus chega já era. Quando Jesus chega é só vitória”.

A gente não sabe a história desta pessoa, contudo, ninguém precisa abdicar de curtir as bandas citadas para ter uma relação próxima com Jesus ou com qualquer outro tipo de fé. Uma coisa não anula a outra.

Certamente a força cósmica do universo nada liga para o seu gosto musical, pois o que vale no final do dia é a sua postura íntegra, respeitosa e tolerante consigo e com quem está ao seu redor.



Via: RockBizz