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Rafael Bittencourt (Angra) sobre o estilo do guitarrista brasileiro: “Tem a síndrome do complexo de vira-lata”

3 horas ago


Todo mundo que vive e respira nas atmosferas do rock n’ roll e do heavy metal sabe que os estilos são especializados em riffs e solos de guitarra! Na verdade, são duas das muitas características que os gêneros têm a oferecer ao público.

Quando se trata dos músicos brasileiros, a profundidade rítmica e harmônica ganham tanto holofotes quanto os riffs e solos. Mesmo com estes diferenciais, alguns músicos cismam em se espelhar e emular músicos dos Estados Unidos e Europa.

Em entrevista ao programa Roland Talks, que tem apresentação do baterista Charles Gavin (Titãs), o líder do Angra, Rafael Bittencourt, refletiu sobre o estilo do guitarrista brasileiro. Ele destacou que muita gente aqui no Brasil sofre do complexo de vira-lata

“O guitarrista brasileiro é muito obcecado por quantidade de notas, coisa que você não vê nos Estados Unidos. Nos Estados Unidos não existe uma cultura assim: se você tocar um montão de notas, você é melhor que o outro. Não! Existem identificações”.

Rafael seguiu com sua reflexão: “Se você se identifica com isso, você vai tocar, mas você não é melhor do que o bluseiro, não. Porque o blues é tradição. Você veio do blues, e os caras sabem os diferentes contextos – ou os caras são muito valorizados. Os guitarristas de funk, que têm a mãozona solta e tal, é super valorizado.

Mas aqui a gente tem a síndrome velha e boa – a síndrome de complexo de vira-lata, que faz a gente achar que mais é mais, que se eu botar um monte de notas não vou ser olhado como um sul-americano, que é, vamos dizer, inferior”.

“E é o que faz alguns roqueiros subestimarem o samba, subestimarem a nossa própria cultura. Faz alguns roqueiros acharem assim: ‘Os caras botaram xaxadinho do Luiz Gonzaga, e não tem a nobreza’. Isso é xenofobia com a própria cultura. Os caras esquecem que a nossa maior riqueza, a maior riqueza do Brasil, não é nióbio e nem as terras raras, é a cultura. A nossa riqueza é a cultura, que a gente explora pouco”, completou.



Via: RockBizz