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Saudosismo e oportunismo cegam os fãs e são as duas maiores chagas da cena heavy metal do Brasil

2 meses ago


O saudosismo, que é a valorização em grau supremo do passado, e o oportunismo, que é basicamente a ação de tirar proveito ou acomodar-se a oportunidades, circunstâncias ou fatos, cegam os fãs e são as duas maiores chagas da cena heavy metal do Brasil.

É claro que estas duas características se unem a muitas outras como machismo, despeito, vira-latismo, falta de profissionalismo, baixa autoestima e protecionismo de patotas que minam as oportunidades de uma cena musical vigorosa, robusta e coalhada de nomes para todos os gostos.

A obsessão do público em desenterrar a formação clássica do Sepultura, com Max Cavalera (vocal e guitarra), Andreas Kisser (guitarra), Paulo Jr. (baixo) e Igor Cavalera (bateria), ajudam a erodir o mercado do metal nacional, visto que descredencia os últimos vinte e poucos anos de trabalho da banda, os quais são significativos.

Machine Messiah (2017) e Quadra (2020), por exemplo, são obras fortes e escancaram o compromisso dos músicos com a evolução sonora e com o capricho em suas produções.

Outro exemplo que facilmente vem nos assombrar e corroborar para o nosso ponto é a insistência de certas figuras em se pendurar nas obras musicais do saudoso Andre Matos. Seja no Angra e Shaman, o cantor nos deixou valiosos tesouros como Ritual (2002), Holy Land (1996) e Angels Cry (1993), e o tributo a estes e outros discos – e ao próprio artista – pode ganhar forma em nosso dia a dia colocando-os para rolar em alto e bom som.

Não há necessidade de reportar o passado para criar o presente, mas é uma ação deliberada e reiterada que traz mais malefícios do que benefícios. É claro que para quem está dentro deste vórtice, ganhando dinheiro e posando de rock star, a coisa até tem arrimos bem-aventurados, porém, para o todo, é uma úlcera de difícil recuperação.

Do thrash metal, crossover e até aos confins do death metal, a cena brasileira tem grandes representantes como os veteranos Krisiun, Korzus, Ratos de Porão, Dorsal Atlântica, Claustrofobia e Torture Squad. Se o fã quiser novidade pode lançar mão do som da Nervosa, Crypta, Black Pantera, Maestrick, Impavid Colossus e Attractha.

Estes são apenas alguns exemplos, mas que servem para ilustrar o nosso ponto. Obviamente, nesta malha de bandas em tenra idade, há muito cascalho e rejeito, que são, na melhor das hipóteses, uma perda de tempo aos corajosos e valentes ouvintes que se embrenham no desértico campo de tal sedimento.

Contudo, tem muita pedra preciosa que só quer uma oportunidade no seu player para te fazer feliz. Dito isso, é imperioso e urgente desmamarmos dos mantras antigos mofados de reunião de Sepultura e Angra para trazer ebulição à cena nacional. Tem muita gente correndo por fora do circuito já conhecido que é tão – quiçá mais – prazeroso curtir.



Via: RockBizz

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