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“Sem moral”: Entenda a polêmica entre Roberto Barros e Edu Falaschi

2 horas ago


O guitarrista Roberto Barros usou suas redes sociais para comentar uma série de problemas que, segundo ele, foram vivenciados durante o período que ele integrou a banda solo de Edu Falaschi, entre os anos de 2017 e 2025

Em uma série de stories publicados em seu Instagram, o músico citou detalhes de bastidores, que envolvem divergências financeiras, condições precárias de hospedagem durante turnês e uma disputa por créditos de composição no álbum Vera Cruz (2021) – conflitos que, segundo ele, exigiram uma intervenção do baterista Aquiles Priester

A quase saída da banda em 2018 

Segundo Roberto, a intenção de deixar a banda de Edu Falaschi ocorreu logo no início do projeto, em 2018. Ele alega que, após supostamente custear do próprio bolso o aluguel de equipamentos e viagens para um show lotado no Carioca Club, em São Paulo, teria recebido um cachê de apenas 300 reais. A situação teria se agravado durante uma turnê na Europa, momento em que o guitarrista afirma ter descoberto que estaria recebendo um valor significativamente menor em relação ao que teria sido pago aos demais integrantes. 

“A primeira vez que eu quis sair da banda foi em 2018, lá no começo. Na Itália, dentro da van, o Aquiles pegou o celular para olhar algo. Ele sabia quanto os caras tinham ganhado de cachê e eu não. Ele disse para o pessoal na van: ‘Aí galera, estamos aqui, todos os meninos felizes, ganharam mil reais aí no show’. Na hora, eu, que estava lá no fundo, pensei: ‘Ganhei 300 reais’. E falei na mesma hora que tinha ganhado 300”, disse. 

“Quando falei isso, o Edu respondeu imediatamente: ‘Não, eu te paguei mil’. Abri meu aplicativo do banco e mostrei na frente de todo mundo que ele tinha me pagado 300. Na mesma hora, ele mudou a conversa e disse: ‘Não, te paguei 300 porque te conheci agora’. O problema não era nem o dinheiro, era a mentira. Na hora em que a pessoa é pega na mentira, ela continua mentindo e depois muda tudo. Ali eu entendi que estava trabalhando com uma pessoa sem moral. Fiquei com tanto ódio que a minha vontade era de voar nele”, seguiu. 

Indignado com a postura do vocalista, o guitarrista comentou que estava decidido a abandonar a turnê europeia naquele mesmo dia. Contudo, ao dividir o quarto com Aquiles, um conselho do baterista o teria feito mudar de ideia e continuar como integrante na banda de Edu. 

“Ele [Aquiles] disse que o que tinha acontecido não era certo e que eu teria pelo menos uma noite digna, mandando eu dormir na cama melhor. Falei para o Aquiles que ia sair da banda naquele dia, porque odeio esse tipo de comportamento (…) Aí o Aquiles me falou algo que entrou na minha cabeça: ‘Eu sou o Aquiles Priester no Brasil porque gravei os dois discos do Angra. Você tem que gravar algum disco com o Edu. Depois você faz o que quiser, depois você sai. Mas você tem que aguentar, você não pode sair’. Eu aceitei”, detalhou. 

@roquerolpaulera

Roberto Barros fala sobre o primeiro motivo que fez ele querer sair da banda do Edu Falaschi #rock #heavymetal #metal

♬ som original – roque rouu paulera

Redução de cachê e estadia em “hotel de cachorro”

O guitarrista também alegou que os problemas se estendiam à estrada, e citou a turnê realizada em 2024 em que o grupo tocou o DVD Rebirth World Tour – Live in São Paulo do Angra na íntegra, onde Edu teria solicitado uma redução do cachê dos músicos de R$ 800 para R$ 600 sob a justificativa de que o projeto seria financeiramente arriscado, embora a turnê tenha sido um sucesso de público e com diversas datas esgotadas pelo Brasil. Ainda segundo ele, além da redução no pagamento, os músicos ficavam hospedados em locais muito abaixo do padrão. 

“Nessa última turnê que a gente tocou o DVD na íntegra de 2002 do Angra, o Edu chegou para a gente e pediu para abaixar o cachê […] E a gente, como sempre ajudava ele, gravava os discos de graça, fazia as coisas para ele, aceitou. No fim, a turnê foi um sucesso, com casas lotadas. Durante a turnê, o Edu foi colocando a gente em vários hostels horrorosos, salvo poucas situações em que ficamos em um hotel melhorzinho. Mas, na maioria, eram lugares terríveis. Lugares que não tinham café da manhã. A ponto de, pela primeira vez nos oito anos que estive lá, nós da banda começarmos a alugar outros hotéis por conta própria porque o Edu não ficava com a gente nesses lugares, ele ficava em outros hotéis”, contou.

A situação teria atingido seu estopim em Recife, Pernambuco, quando membros da banda teriam abandonado o que Roberto descreveu como um “hotel de cachorro”, que segundo seu relato, não contava com “toalha, ar-condicionado e internet para trabalhar”. Por conta disso, ele afirma que, juntamente com o baixista Raphael Dafras e o guitarrista Diogo Mafra, decidiram buscar e pagar do próprio bolso uma hospedagem melhor, e de acordo com Barros, ao chegarem no local, os músicos flagraram Falaschi e seu empresário realizando o check-in no mesmo estabelecimento. 

“No show que tocamos em Recife, o Edu colocou a gente em um hostel horroroso, que não tinha ar-condicionado, não tinha toalha, não tinha nada. Não conseguíamos ficar dentro do quarto, tinha pulga, não tinha internet para trabalhar. […] O Rafa lembrou de um hotel muito bom em que tínhamos ficado na outra vez que fizemos show em Recife. Fomos lá ver o valor da diária. Quando chegamos e subimos a escada desse hotel, entramos e quem estava fazendo o check-in? O Edu e o empresário dele, em um hotel excelente, enquanto a gente estava naquele hotel de cachorro. Tudo bem se ele quisesse fazer isso, mas por que essas coisas precisavam ser tramadas e escondidas? Na hora, fiquei com tanto ódio que me afastei para me controlar. O Rafa foi discutir com ele”, revelou.

De acordo com ele, a situação afetou diretamente o baixista, que instantes antes de subir ao palco, dias depois, em Salvador, brigou aos gritos com o vocalista, chegando a chorar de raiva. “Isso afetou tanto o Rafa, que é o cara mais tranquilo que já conheci para trabalhar, que no show de Salvador, minutos antes de subirmos ao palco, eu vi o Rafa brigar aos gritos com o Edu, chorando de ódio. Eu nunca tinha visto aquilo. O cara não aguentava mais”, disse. 

@roquerolpaulera

Roberto Barros responde se os outros integrantes de banda tem algum conflito com Edu Falaschi #metal #heavymetal #rock

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Reconhecimento por créditos em Vera Cruz 

De acordo com sua versão dos fatos, Roberto dedicou-se exaustivamente à criação do aclamado álbum Vera Cruz (2021), e alegou ter passado até 25 dias por mês na casa de Edu ao longo de um ano e meio. Apesar de afirmar ter composto os arranjos e as harmonias para quase todo o trabalho, além de supostamente ter financiado a própria estadia, o guitarrista relatou ter sido surpreendido ao receber o email com a lista final de créditos do disco, momento onde notou a ausência de seu nome. 

“Eu não era para ter tido nenhum crédito no Vera Cruz. Zero. Compus o disco inteiro, com exceção das duas baladas. Fiz todos os arranjos de guitarra. Em dezembro de 2020, recebi um e-mail com os créditos do Vera Cruz, com a lista de todas as músicas, e todas estavam com o nome do Edu. (…) O Aquiles me ligou horas depois perguntando como eu havia passado um ano e meio na casa do Edu, com todas aquelas harmonias que saíram da minha cabeça, e ele não me dava crédito algum. (…) Ele ligou para o Edu e os dois ficaram brigando por dois dias por conta disso. (…) O Edu me ligou, nós discutimos, e ele me deu três créditos, dizendo que não lembrava do que eu tinha feito. Trabalhei incansavelmente na parte harmônica e em todos os arranjos estruturais, mas recebi créditos em apenas três. Em ‘Face of the Storm’, ele me deu 5% de crédito. Eu aceitei porque não queria ser o cara que ia falar algo ou arrumar confusão, tinha medo de que ele me tirasse da banda ”, revelou.

“Depois dessa experiência no Vera Cruz, durante todo o processo do disco Eldorado (2023), qualquer coisa que eu compunha na casa dele, eu subia para o meu quarto e gravava tudo. Eu filmava a tela do computador com a data, filmava que eu estava no quarto dele, e criei um dossiê arquivado no meu Dropbox com tudo o que fiz para não termos o mesmo problema”, complementou.

@roquerolpaulera

Roberto Barros comenta sobre só ter três créditos no álbum Vera Cruz de Edu Falaschi #rock #heavymetal #metal

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O que diz Edu Falaschi 

Dias antes de Roberto Barros vir a público se manifestar, o Wikimetal conversou com Edu Falaschi e o questionou sobre os primeiros vídeos que seu ex-guitarrista havia publicado contestando o processo criativo do disco Vera Cruz. Na ocasião, o vocalista adotou um tom diplomático, não se aprofundou no tema e afirmou estar “focado no presente”.

“Sobre a questão dos dois discos, o Roberto me ajudou muito, principalmente nos arranjos do Vera Cruz e do Eldorado. Mas, como eu falei, eu gosto sempre de prezar o momento atual e o futuro”, declarou ele ao mudar de assunto para exaltar o atual guitarrista de sua banda, Victor Franco. “Eu estou focado no presente, nas coisas que eu estou fazendo, e isso, para mim, é o que interessa”, completou.

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Via: WikiMetal