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The HU celebra Brasil e afirma que país é “como um berço para o rock”

1 hora ago


Principal expoente do Hunnu Rock e uma das maiores revelações da música nos últimos dez anos, The HU lançou em 24 de julho, HUN, seu aguardado terceiro álbum de estúdio.

Marcando um novo momento em sua carreira e com apresentações em diversos festivais ao redor da Europa, o grupo mongol segue usando a vasta sabedoria de sua cultura para inspirar o mundo por meio de suas músicas, dentre as quais se destacam “Warrior Chant”, “Lost Soul” e “Grey Hun”. 

Em entrevista ao Wikimetal, o vocalista Nyamjantsan Galsanjamts, também conhecido como Jaya, falou sobre a recepção dos fãs ao disco dias após o lançamento, sobre a importância da cultura mongol cantada nas letras e explicou o conceito por trás da capa do álbum. O músico ainda falou como é dividir os palcos com grandes nomes do metal e se o grupo possui planos para se apresentar no Brasil futuramente. Leia na íntegra. 

Wikimetal: HUN está disponível mundialmente há alguns dias. Como tem sido a recepção dos fãs a este novo trabalho? Teve alguma música ou reação específica que chamou a atenção da banda?

Jaya: Acho que o aspecto mais surpreendente de todo o álbum foi a quantidade de feedback positivo que recebemos em escala global para “Echoes of My Father”. Quando fizemos isso, ressoou e se infundiu em nossa cultura, e queríamos cantar os louvores de nossos pais. Nossos fãs globais entenderam o conceito imediatamente e nos deram um feedback incrível e muito positivo. Do terceiro álbum, eles têm comentado que é uma das músicas especiais que fez o álbum ressoar muito especificamente em seus corações. 

Achei que isso foi algo muito legal e importante a se dizer, porque quando os críticos na Mongólia, especificamente, disseram que era uma das baladas de rock mais bonitas que eles já ouviram, isso significou muito para nós, pois, tanto musicalmente quanto conceitualmente, era uma música muito importante para nós também.

WM: O título do álbum significa “humano” na língua mongol. Conhecendo a rica cultura de vocês, que tipo de mensagem ancestral sobre o que significa ser humano você sente que a sociedade moderna precisa ouvir hoje?

J: Quando falamos sobre a cultura mongol, quero citar uma música e mencionar “Warrior Chant” para isso, porque as letras dela são como um poema épico. Ela reforça essa ideia de ter uma energia positiva, de ser cheia de força e de se reerguer. Esse tipo de sabedoria nômade está infundido nessa música. Ao longo deste álbum, nós cantamos sobre a vida e as experiências humanas de forma negativa e positiva.

Então, se eu fosse escolher uma música que pergunta diretamente qual é a sabedoria ancestral deste álbum, eu diria que “Warrior Chant” seria a música a se escolher. Porque, novamente, ela inspira as pessoas a serem cheias de força e carrega essa sabedoria ancestral de ser corajoso e encarar sua vida por conta própria.

Conceito de “Lost Soul”

WM: Em “Lost Soul”, qual é a diferença para você entre estar verdadeiramente perdido na vida e ser apenas uma alma que tem a coragem de buscar o seu próprio caminho?

J: O conceito de “Lost Soul” em si é que estamos cantando sobre pessoas que estão verdadeiramente perdidas na vida, mas que ainda não perceberam isso. Os valores que costumavam ter, ou os valores que lhes foram ensinados, não são priorizados e então se perdem na mistura das lutas da vida. Estamos basicamente cantando: “você está perdido? Essa é a vida que você queria para si mesmo? Isso está alinhado com seus valores? É quem você é?” Ouça e descubra.

As pessoas podem estar verdadeiramente perdidas se perderem seus valores e os traços com os quais nasceram. Através de “Lost Soul”, na parte em que cantamos, estamos basicamente repreendendo se você é uma alma perdida ou não, o que você está fazendo com a sua vida e o que vai fazer sobre isso.

Explicação do conceito por trás da capa de HUN

WM: E você pode falar um pouco sobre a arte do álbum? Quais elementos da cultura mongol vocês fizeram questão de incluir nela?

J: A imagem da capa mostra uma imagem drástica do eterno céu azul e da terra abaixo de nós. Nós não chamamos de céu ou inferno em nossa cultura, chamamos de abaixo da terra e acima do eterno céu azul. O conceito disso é, basicamente, que você está vivendo no meio. Um céu acima de você e a terra abaixo. Vivendo no meio disso como humano, o que você faz importa e decide se você é digno de ir para o eterno céu azul ou se é ruim o suficiente para ir para baixo da terra. 

Quando você está vivendo no meio, tem que ser útil de uma forma que seja útil para a ecologia, para o meio ambiente, útil uns para os outros e como sociedade. Todo esse conceito é como os mongóis veem a vida, e pode ser um pouco diferente do que você veria no resto do mundo, mas semelhante o suficiente para que você possa se identificar. 

Sobre a mitologia, quero mencionar como vemos os corvos. Se você olhar para a capa do nosso álbum, verá corvos sentados. Nós acreditamos que os corvos são a representação da verdade. Acreditamos que o passado, o presente e o futuro são vistos pelos corvos. Não é ruim nem bom, é apenas a verdade. Os corvos são capazes de voar no eterno céu azul, viajar abaixo da terra e também vir para a Terra, viajando em três dimensões diferentes. Esse é um fato muito interessante da cultura mongol.

WM: Nos últimos anos, o The HU tem dividido palcos com grandes nomes do metal e participado de festivais de renome internacional. Como essa experiência de estar ao lado dessas bandas, especialmente o Iron Maiden, impulsionou a carreira da banda?

J: Os últimos dez anos foram cheios de experiências únicas. Fizemos muitas coisas pela primeira vez. Os festivais, as turnês, foram anos incríveis e não são muitas pessoas que têm a sorte de vivenciar tudo isso. A forma como vemos é que esses anos servirão como base para o quão longe vamos chegar no futuro. O Iron Maiden é um grupo fantástico de pessoas, têm um legado como nenhum outro. Quando fomos convidados para os shows e pudemos ver o que eles fizeram, como interagem com os fãs e como se apresentam, tudo isso nos ensinou uma lição.

Vemos isso como uma lição aprendida sem ter que ouvir um sermão deles, apenas observando a atuação, como se comportam na turnê e no palco. A relação que temos com eles, como irmãos no universo do metal, nos fez perceber tantas coisas sem que precisassem dizer em voz alta. Tentamos aprender o máximo possível com todos com quem interagimos.

Show cancelado no Brasil em 2020 e planos para vir ao país

WM: Em 2020, o The HU deveria se apresentar no Brasil pela primeira vez, mas o show foi cancelado devido à pandemia. Há planos de vocês virem ao país nos próximos anos?

J: A América Latina e o Brasil são como um berço para o gênero do rock, é assim que vemos. Nós tínhamos agendado uma turnê antes que foi cancelada, mas não vejo motivo para não agendarmos novamente com facilidade para nos apresentar com nosso terceiro álbum. Acho que voltaremos muito em breve e esperamos estar no Brasil nos próximos anos.

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Vitor Melo

Atual repórter do Wikimetal, estudante de Jornalismo e fã de metal, em especial Iron Maiden, banda que já viu 3 vezes, acompanha desde os 12 anos e sonha assistir um show em Londres. Sempre gostou de escrever e encontrou no jornalismo musical a sua vocação. Seus principais ídolos são Steve Harris, Adrian Smith e Ozzy Osbourne. [email protected]



Via: WikiMetal