Menu

“Você fica religiosinho, exagerado e chato pra caramba; não conheço um crente que não tenha sido chato”, diz Rodolfo Abrantes

3 meses ago


No começo da década de 2000, o rock brasileiro tomou um grande baque, que foi a saída de Rodolfo Abrantes do Raimundos. Na época, a banda estava em seu pico de popularidade, pois estava colhendo os frutos de seu quinto álbum de estúdio, Só no Forevis, o qual saiu em maio de 1999.

Os fãs e a imprensa tomaram um grande susto pelo motivo da saída do cantor, visto que foi a sua conversão ao cristianismo protestante. Tempos atrás, durante conversa com o pessoal do canal Ticaracaticast, o cantor falou sobre a decisão de jogar tudo para o alto e seguir pelo caminho religioso.

“Comecei a prestar atenção no que eu estava cantando”, começou Rodolfo. “Eu fazia muito no automático nos primeiros dias. A galera começou a perceber que terminava o show, eu não ficava no camarim. Eu estava mais mal humorado, porque você começa a falar que isto ou aquilo não está certo”.

Ele continuou: “Você fica religiosinho no começo. Você fica exagerado! Fica chato pra caramba. Eu não conheço um crente que não tenha sido chato pelo menos um momento da vida. Tem uns que não conseguem deixar de ser. Em algum momento o crente já foi um pé no saco.

Eu fiquei mais recluso! Isso causou estranheza. Eu falava com uma pessoa aqui e ali. Falava da bíblia com um ou com outro, mas não abria a coisa. De repente, foi ficando muito estranho e até que não deu mais”.

“Estava ficando muito pesado para mim! Teve um show que fiquei tão incomodado, que fui orar atrás do palco. Fui orar e naquele dia eu estava com vergonha de Deus. Mas, quando você ora, você toma consciência da presença de Deus, e parecia que fiz um show face a face com Ele. E naquele dia vi que não conseguia mais cantar aquilo que saía da minha boca”, completou o ex-roqueiro.

Na mesma entrevista, o cantor também refletiu sobre o sentimento que tinha em seus últimos dias no Raimundos.

“A galera não conhece o pensamento de desistência. O povo não entra em contato com a dor do cara. Você é um produto que as pessoas consomem, e ninguém quer comer uma laranja podre, então, você tem que parecer bonito. Você pode estar cheio de porcaria dentro, mas você tem que parecer bonito.

Essa prisão da tua dor é como uma panela de pressão, o que a faz aumentar! Com isso, tem gente que se mata, tem gente que tem overdose e tem gente que se explode para acabar com o personagem. Esse é o clamor de querer ter uma vida normal. Então, de uma hora para outra, eu avisei que estava saindo da banda”.

Eis o bate-papo completo no tocador abaixo:



Via: RockBizz

Leave a Reply

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *